Dos produtos mais inusitados aos mais simples, a internet pode ser
utilizada como uma rede de negócios online em q ue clientes
buscam rapidez no serviço e segurança nas transações
comerciais. Do outro lado, os comerciantes conectados se beneficiam
da ausência de aluguel de espaço físico e têm
a possibilidade de fazer negócios em todo o País sem
os limites regionais de uma loja convencional.
O baixo custo, tanto da fabricação quanto manutenção
de uma página virtual, avalia Thais Helena de Lima Nunes,
consultora do Sebrae/RJ, são atrativos para os empresários.
Há ainda a opção de utilizar o comércio
eletrônico como braço da loja convencional, expandindo
a área de atuação.
Pedro Luiz Roccato, diretor da Direct Channel, que desenvolve
projetos e soluções especializadas para fabricantes,
operadoras de telecomunicação, distribuidores e
revendedores atuantes nos mercados de varejo, revela que o fracasso
de algumas empresas no comércio eletrônico deve-se
à falta de planejamento da operação.
Segundo ele, isso acontece quando não há noção
de toda a complexidade de uma operação de venda
dire ta, atendimento de pré e pós-venda, processos
para acatar cancelamentos de vendas, fraudes e logística,
por exemplo.
Wilson Celeste é proprietário da Bit Cão,
loja virtual que vende produtos para treinamento de cães.
Embora sua base seja no Rio de Janeiro, o negócio possibilita
que não haja limites na negociação de seus
produtos em todo o Brasil.
"Comercializo meus produtos do Acre ao Rio Grande do Sul".
Há cinco anos no mercado com a Bit Cão, o empreendedor
começou em1997 com a Lord Cão, fornecendo serviços
de treinamento para cães. Apesar de aprovar o comércio
eletrônico, frisa que tem grande despesa com telefonemas
e com os custos com o frete de entrega para os clientes.
Para Roccato, da Direct Channel, o varejista precisa oferecer
ambiente seguro para o pagamento, garantia de pós-venda
e informações claras sobre o produto e o prazo de
entrega. "O processo para transformar o internauta em comprador
leva tempo. Primeiro, ele é usuário, na vega, faz
consultas, para depois criar confiança e comprar",
avalia.
Em São Caetano do Sul, em São Paulo, a Giuliana
Flores tem quatro lojas de rua. Contudo, não seria possível
entregar flores em mais de 1.100 cidades do Brasil caso não
existisse a loja virtual. Segundo o diretor da empresa, Clóvis
Souza, o comércio eletrônico permite que o cliente
tenha a facilidade de poder comprar sem sair de casa e ainda ter
a certeza de que está comprando em ambiente seguro.
"A loja virtual cresce a cada mês, sendo forte vertente
da empresa", revela o diretor. Uma das maiores preocupações
e motivo de frustração dos clientes é quando
o produto visualizado e comprado pela internet não é
igual ao da foto mostrada na tela do computador. "Por isso,
invisto em itens como embalagem de qualidade", explica.
No Rio de Janeiro, Bel Carvalho tem o mesmo cuidado que o diretor
da Giuliana Flores. Ela é proprietária da Bel Trufas,
que há 20 anos vende bolos, brownies ornamentados, e trufas.
No entanto, somente há três anos a loja virtual está
funcionando. Antes de fazer o site, a empresária já
fazia contatos com seu mailing list por meio do e-card.
"O site é minha vitrine", conta. "Não
é preciso gastar em impostos e aluguel de uma loja física.
Mas o gasto com o trabalho fotográfico é grande
porque o cliente quer qualidade e um produto que seja igual ao
mostrado na tela do computador. Na internet isso pode causar problemas,
principalmente no setor de alimentação, porque a
foto é produzida e diferente do produto que chega à
casa do consumidor. O comércio eletrônico não
pode decepcionar o cliente", conta Bel.
LOJAS FÍSICAS. Segundo o diretor da Direct Channel, as
lojas convencionais com um braço online têm vantagem
frente às que só existem na internet. "A marca
é conhecida pelo público e a rede é usada
como mais um canal de venda. Outra vantagem é que a loja
tem sistema de distribuição e de atendimento ao
público montado", completa ele.
E o que dizer de uma mercearia online? Na Vila Maria, em São
Paulo, Edgar Pires é sócio proprietário da
Mercearia Augusto Cesta Básica. Embora tenha a loja virtual
há quatro anos, o meio eletrônico ainda não
é o forte do empreendimento. "A vantagem do comércio
eletrônico é o baixo custo. Há também
a facilidade de um cliente de qualquer região do Brasil
achar a mercearia em sites de busca.", aponta. O empresário
revela que é preciso tomar cuidado com golpes, porque não
é raro pessoas tentando driblar a segurança da internet.
Já a Easyfoto fornece a opção aos consumidores
de revelarem suas fotos digitais pela internet, enviando do seu
computador e recebendo em casa pelos Correios."Os clientes,
além de realizarem o pedido pela internet, podem acompanhar
em tempo real o andamento de suas compras", revela Ricardo
Goulart, diretor Comercial.
A Misty Line Cosméticos foi fundada em 1996 e tem sede
no bairro da Moóca, em São Paulo. A empresa atua
em todos os esta dos brasileiros graças à internet.
"Com o site foi possível expandir os negócios
para todo Brasil", revela Neide Santos, gerente da empresa.
O perfil do e-consumidor
De acordo com pesquisa da E-bit, empresa de consultoria para
compras online, realizada em 2005, atualmente existem mais de
2,6 milhões de pessoas que fizeram pelo menos uma compra
via internet. O levantamento revela que, apesar do número
parecer alto, ainda é muito pouco para o potencial do canal,
levando-se em conta que hoje já existem cerca de 20 milhões
de internautas no Brasil.
A renda média familiar do e-consumidor, mostra a pesquisa,
é de R$ 3,9 mil e se divide da seguinte maneira: 37% têm
renda familiar entre R$ 3 mil e R$ 8 mil. Já a parcela
com renda entre R$ 1 mil e R$ 3 mil, também tem grande
participação no mercado, representando 31%. Do total
de e-consumidores, 5% têm renda familiar menor que R$ 1
mil, já 9% ganham mais de R$8 mil e 19% preferem não
dizer.
A parc ela compreendida entre os 25 e 49 anos de idade é
esmagadora maioria entre os consumidores das lojas virtuais, sendo
71% da população que realiza compras pela internet.
O estudo mostra também que apenas 1% dos consumidores têm
até 17 anos e 12% têm entre 18 e 24 anos. Outros
12% têm de 50 a 64 anos e apenas 1% têm mais de 65
anos. Dois porcento preferiram não responder. Quando estimada
a idade média do consumidor das lojas virtuais encontra-se
um número entre 34 e 35 anos.
A grande maioria tem pelo menos nível superior completo
(57%), sendo que 21% têm também pós-graduação.
Mais um dado sobre os consumidores das lojas virtuais é
que os homens têm maior hábito de comprar pela internet.
Em média 60% das pessoas que costumam comprar pela rede
são do sexo masculino, contra 40% do sexo feminino.
fonte: Jornal do Commercio - RJ